Pena Vadia

The unscripted wanderings of a trampish pen.

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  • Daniela Thomas

    A gambiarra como destino

    A precariedade estrutural do Brasil é freio e motor para artistas que, de Hélio Oiticica a Daniela Thomas, partem menos da idealização do que de uma matéria caótica hoje atravessada por acertos de conta imemoriais e convulsionada pelos mais diversos agentes políticos.

  • Hélio Oiticica

    Precariousness rocks: Brazilian counterculture, from Hélio Oiticica to Daniela Thomas

    Just published in Asymptote: I. Introduction: culture and contagion Hélio Oiticica was responsible for giving Brazilian counterculture a name: Tropicalism. The word gained traction around 1968 in an encounter between the innovative…

  • Caetano Veloso

    Onde estão as mãos pretas

    Caetano poderia ter parado por aqui, na simples constatação de um momento de elevação cultural, por assim dizer. Mas convém prestar atenção ao espetáculo que ele estreou poucos anos após a publicação de Verdade Tropical (1997) no Brasil, intitulado Noites do Norte (2001). O show é uma verdadeira dramatização de suas memórias sobre a música popular brasileira, com as fronteiras entre texto e encenação musical praticamente se dissolvendo.

  • A Bahia tem um jeito (para o Brasil)

    No fim de julho, eu e dois colegas de Princeton visitamos a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Estivemos em dois de seus campi – Itabuna e Porto Seguro – e em alguns dos inúmeros galhos que a universidade cultiva na região. São colégios universitários como o de Coaraci e escolas como o CIEPS (Complexo Integrado de Educação de Porto Seguro).

  • Oiticica reloaded

    Da janela do meu prédio, em Campinas, vejo no sinal vermelho o cidadão com seu magnífico impermeável amarelo, equilibrando o guarda-chuva e os malabares. Chove torrencialmente.

  • Lula, Filho do Brasil

    Lula: anos de formação, de Alfredo Bosi

    O filme “Lula, o filho do Brasil”, dirigido por Fábio Barreto e lançado em 2009, tem, a meu ver, um mérito incontestável, o seu título. Quanto mais nos entranhamos na biografia de Luiz Inácio Lula da Silva, mais nos impressiona a sua relação intrínseca com o homem brasileiro, não tomado em geral, alegoricamente, mas o homem brasileiro, na sua condição concreta de pobre, nordestino, pernambucano do Agreste a meio caminho do sertão. . .

  • Nós somos muitas

    A fantasia imperou ontem no Terreiro do Paço, em Lisboa, numa gigantesca festa LGBT à beira do Tejo, com dança, bebidas, música eletrônica e a mistura de todas as tribos, inclusive famílias […] Havia um tanto de Medeia e outro tanto de Lisístrata no Terreiro do Paço, como se o gesto indômito de uma drag queen se projetasse, desajeitado, na paisagem de uma pequena aldeia.

  • Antonio Candido

    A literatura contra a morte: Antonio Candido (1918-2017)

    A última vez que vi Antonio Candido foi em sua casa, no ano passado, quando eu e Lilia Schwarcz lhe demos um exemplar da edição crítica de Raízes do Brasil, que ele recebeu com grande entusiasmo. Nós, um pouco embaraçados, porque a edição no fundo vai contra a famosa interpretação que ele fez do amigo Sérgio Buarque, considerando-o um democrata “radical” já lá na década de 1930.

  • Ricardo Piglia

    Literature and respiration: Ricardo Piglia (1940-2017)

    We read as if gasping for breath. To keep on reading is at times a strange, imperious need, something like a burst of energy late in a run, when there seems to be no air left in one’s lungs. The writer is a reader in extremis, someone for whom stopping is not part of the game. When the Stoics wrote about virtuous death, the fact is that they did write about it, not die about it. They spoke of absence by filling it with letters.

  • Ricardo Piglia

    Literatura e respiração: Ricardo Piglia (1940-2017)

    Lemos como quem quer respirar. Continuar a leitura é às vezes uma necessidade estranha e imperiosa, como quando se arranca na corrida sem que haja mais fôlego. O escritor é um leitor in extremis, alguém para quem a parada não faz parte do jogo. Quando os estoicos escreviam sobre a morte virtuosa, o fato é que escreviam, não morriam. Falavam da ausência, preenchendo-a com as letras.