Norte e Sul

A Flip tem momentos muito divertidos, e muito tocantes também. Dos divertidos, guardo a fala sincera de Jaguar olhando a plateia, na Tenda dos Autores: “o que vocês querem de mim? Eu nunca gostei de professores”. Isso depois de ter dito que os 3 meses passados na prisão, em 1969, foram um período excelente: “quando mais eu poderia ler Guerra e Paz?” Conta também que tentou ler o Ullises, mas não passou da página 15: “você liga para o Joyce, e tem o Antonio Houaiss na linha”.

Do que menos se falou, foi de Millôr. Mas ele estava lá, ainda mais depois da linda palestra de abertura do Agnaldo Farias. Numa lojinha de artesanato indígena, que vende sobretudo o que fazem as várias comunidades guaranis da região, vi Davi Kopenawa, vestido com um agasalho de um time de futebol americano. Ele estará numa mesa hoje com Claudia Andujar, que tem o seu magnífico trabalho fotográfico com os ianomamis (pode-se assistir à programação online, ao vivo, no site da Flip).

Um ianomami comprando artesanato guarani em Paraty foi das coisas mais bonitas que vi nos últimos tempos.”Paraty, a Veneza do Atlântico Sul”, na fala quase renascentista, prometeica de Paulo Mendes da Rocha.

E vai falar de fronteira…