Pedro Meira Monteiro

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Karajan e a espada

Há dois dias escuto quase ininterruptamente Don Juan, Op. 20, poema sinfônico que catapultou Richard Strauss ao estrelato, em 1889. Em seus pouco mais de vinte anos de idade, embebido, como tantos outros nessa Alemanha que nascia, de Schopenhauer e de Nietzsche, e sob a estrela forte de Wagner, o compositor recusava o caráter “descritivo” da música, apostando fundo na “expressão das emoções”.

Freud, Hitler e o moralista

No início de 1933, Hindenburg nomeia Adolf Hitler chanceler da Alemanha. No mesmo ano, em Viena, aparecem as Novas conferências introdutórias à psicanálise. Na lição sobre “angústia e instintos”, Sigmund Freud regressa à importância da culpa para a constituição psíquica, e se depara com uma expressão estranha, que ele mesmo criara: o “sentimento de culpa inconsciente”, o qual explicaria a reincidência dos sintomas em pacientes recém-curados, como se uma mola os levasse de volta àquilo que o psicanalista julgava ter suprimido, e que eles no entanto pensam merecer.

Pedro Meira Monteiro