Pedro Meira Monteiro

Pena Vadia

Zuca épica

Entre Hamburgo e o Rio de Janeiro talvez haja algo em comum. Não há de ser o clima, decerto, nem mesmo a luz batendo na cuca como se viesse direto do sol, sem intermediários. As duas são cidades portuárias, lá isso é verdade, abertas às surpresas que vêm do mar. No entanto, há uma ponte entre elas: o escritor carioca “Zuca Sardan”, poeta, desenhista, diplomata aposentado, radicado na Alemanha.

The How-I-Spent-My-Summer Thing: Trading Times

My summer was a winter. It always happens to me. My wife and I spend most of our summers in Brazil. As everybody knows, the world is upside down there, and if you trade you time here for a vacation in South America you end up missing your summer. Well, not so much. In Campinas, where we have a little apartment, winter can be quite nice: days in the upper 70s, evenings in the mid 60s. If it’s below 60 F, people think they are freezing.

A classe das almas

Às segundas-feiras os lixeiros passam em frente de casa recolhendo o lixo. Sempre que trabalho no meu escritório, como hoje, observo da janela a maneira displicente com que eles pegam as latas, vertem o conteúdo no caminhão e as jogam de volta, em geral sobre as plantas do jardim. A alma de classe média que mora em mim não resiste e exclama, lá de dentro: que falta de cuidado, será que eles fazem de propósito, porque é o jardim dos bacanas?

As ruínas de Palmira

Agora que o “Estado Islâmico” dinamitou o templo Baalshamin, na Síria, é tempo porventura de voltar às reflexões do conde de Volney sobre as ruínas. Revolucionário, viajante, professor, agricultor frustrado, Volney foi uma daquelas almas inquietas que a França revolucionária acolheu e projetou. O primeiro anúncio de seu livro Ruines, ou Méditations sur les révolutions des empires apareceu em 1791.

Baile com a morte

Salomé, de Richard Strauss, causou espécie quando estreou, em 1905, em Dresden. Conta-se que, no ano seguinte, Schoenberg levou seus alunos para assistir à estreia da ópera em solo austríaco. Na plateia, encontravam-se o novo e o consagrado, de Mahler a Puccini. Pouco depois, um estudante veria, aberta ao piano, na casa de Schoenberg, a partitura de Salomé. “Talvez daqui a vinte anos”, teria dito o futuro compositor do Pierrot Lunaire, “alguém será capaz de explicar teoricamente estas progressões harmônicas”.

Enigmas da primavera

Acaba de ser lançado o último romance de João Almino, Enigmas da primavera, para o qual escrevi a seguinte orelha: “Reflexão cândida e profunda sobre a falta de alternativas, este livro é também sobre a razão que, aliada à imaginação, faz brotar saídas.