Pedro Meira Monteiro

Pena Vadia

A Bahia tem um jeito (para o Brasil)

No fim de julho, eu e dois colegas de Princeton visitamos a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Estivemos em dois de seus campi – Itabuna e Porto Seguro – e em alguns dos inúmeros galhos que a universidade cultiva na região. São colégios universitários como o de Coaraci e escolas como o CIEPS (Complexo Integrado de Educação de Porto Seguro).

Oiticica reloaded

Da janela do meu prédio, em Campinas, vejo no sinal vermelho o cidadão com seu magnífico impermeável amarelo, equilibrando o guarda-chuva e os malabares. Chove torrencialmente.

Lula: anos de formação, de Alfredo Bosi

LULA: ANOS DE FORMAÇÃO

Alfredo Bosi

O filme “Lula, o filho do Brasil”, dirigido por Fábio Barreto e lançado em 2009, tem, a meu ver, um mérito incontestável, o seu título. Quanto mais nos entranhamos na biografia de Luiz Inácio Lula da Silva, mais nos impressiona a sua relação intrínseca com o homem brasileiro, não tomado em geral, alegoricamente, mas o homem brasileiro, na sua condição concreta de pobre, nordestino, pernambucano do Agreste a meio caminho do sertão, logo também sertanejo, migrante, menino que trabalha na rua, aprendiz de operário, operário especializado, enfim membro de sindicato.

Nós somos muitas

A fantasia imperou ontem no Terreiro do Paço, em Lisboa, numa gigantesca festa LGBT à beira do Tejo, com dança, bebidas, música eletrônica e a mistura de todas as tribos, inclusive famílias […] Havia um tanto de Medeia e outro tanto de Lisístrata no Terreiro do Paço, como se o gesto indômito de uma drag queen se projetasse, desajeitado, na paisagem de uma pequena aldeia.

A literatura contra a morte: Antonio Candido (1918-2017)

A última vez que vi Antonio Candido foi em sua casa, no ano passado, quando eu e Lilia Schwarcz lhe demos um exemplar da edição crítica de Raízes do Brasil, que ele recebeu com grande entusiasmo. Nós, um pouco embaraçados, porque a edição no fundo vai contra a famosa interpretação que ele fez do amigo Sérgio Buarque, considerando-o um democrata “radical” já lá na década de 1930.

Literature and respiration: Ricardo Piglia (1940-2017)

We read as if gasping for breath. To keep on reading is at times a strange, imperious need, something like a burst of energy late in a run, when there seems to be no air left in one’s lungs. The writer is a reader in extremis, someone for whom stopping is not part of the game. When the Stoics wrote about virtuous death, the fact is that they did write about it, not die about it. They spoke of absence by filling it with letters.

Pedro Meira Monteiro