Pedro Meira Monteiro

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April 2014

Uma banana para Sarah Palin

Na Espanha, Daniel Alves reagiu à agressão racista com um magnífico gesto que instantaneamente tomou a blogosfera. Um google em “Dani Alves banana” dá resultados impressionantes. . . . Enquanto isso, neste estranho país, Sarah Palin disse em público que, se ela estivesse na Casa Branca, “waterboarding” seria a forma como os terroristas seriam batizados. Quando vi a notícia pela primeira vez, cheguei a pensar que era uma invenção sensacionalista. Mas não.

A história lá fora

Há em Princeton um Battlefield Park, espécie de sítio arqueológico-patriótico, em que se desenrolou uma das mais sangrentas batalhas da guerra da independência americana. Em janeiro de 1777, tropas inglesas se encontraram com os soldados de Washington ao norte de Trenton, hoje capital de New Jersey. Alguns dos feridos foram tratados na pequena casa dos Clarke, fazendeiros desta região em que abundavam quakers, cuja crença proibia qualquer envolvimento direto na guerra.

A sedução da decolagem

“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama transformado num inseto monstruoso”. Este início de A Metamorfose, de Kafka, contém – concentradas – as qualidades que séculos de escrita exigiram dos começos de texto: ser hipnótico (fisgar o leitor logo de cara) e desconcertante (instigar o leitor a completar a leitura). Metamorfose é o caso clássico de aberturas brilhantes, pois Kafka nos coloca, de cara, diante do monstro em que se transformou o cidadão pacato. É assombrador, porque está entre a simples alegoria e uma descrição realista que incomoda – analisa Pedro Meira Monteiro, professor de literatura brasileira na Universidade de Princeton, nos EUA.

Debates modernistas

O sociólogo Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e o escritor Mário de Andrade (1893-1945) corresponderam-se por carta durante um período fecundo: de 1922, quando eclode o movimento modernista no Brasil, até 1944, quando as aspirações iniciais dão lugar a um espírito crítico mais maduro. É esse conjunto de missivas que o professor da Universidade de Princeton (EUA), Pedro Meira Monteiro, investigou no livro Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda – Correspondência. Com o correr do tempo, o também paulista Sérgio, que traçava uma carreira de jornalista e sociólogo no Rio, foi se tornando uma espécie de “consultor” do mais velho.

Pedro Meira Monteiro