Pedro Meira Monteiro

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May 2011

Uma palavrinha para o espírito: a máxima e a blague

Se não há uma linha clara a unir a forma clássica da máxima à experimentação modernista, há porém, entre a máxima e a blague, algo em comum.Basta lembrar que, na galeria um tanto desorganizada das inspirações de Oswald de Andrade, o Nietzsche que ele lê com júbilo não chega nunca a separar-se completamente de Freud. Um Freud todo especial, a propor, contra a pura valorização do instinto, uma narrativa sedutora que abriria, no seio da ideia do humano, o abismo do inconsciente.A sedução da psicanálise, já notou Ricardo Piglia – também ele cultor das formas breves –, vem da ideia de que afinal seríamos formados por duas histórias: aquela superficial, que enxergamos e apregoamos, e uma outra, profunda e opaca, misteriosa a nós mesmos. Um enredo desconhecido, que é e não é o nosso.A máxima, ou as formas breves (e como chamá-las, a partir daí?), encontram então terreno fértil, porque de repente aquilo que elas dizem sem dizer pode ser o afloramento de um fantástico discurso paralelo, em que se guardariam os segredos que a lógica e a razão soem dissimular. Daí a proximidade entre o chiste freudiano e a máxima.“Chiste” freudiano que, em francês, vai chamar-se, sugestivamente, mot d’esprit…