Pedro Meira Monteiro

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November 2010

An Anti-Foucault

One of the many virtues of conservative thought is that it reminds those of us who declare ourselves immune to the siren call of “conservation” that our discourse is always guided by ghosts. In fact, no voice can be sustained without some sort of specter. So it is that when we speak, the often unconfessable power that drives us to do so is also one that works to materialize some sort of ghost, right before our own eyes and before the eyes of those who read what we write, or listen to what we say. The day before yesterday in Princeton, Mario Vargas Llosa, who was recently awarded the Nobel Prize in Literature, delivered a speech entitled “A Brief Discourse on Culture.” During this talk, he took unflinching aim at one target in particular: the “sophistic” figure of Michel Foucault.

SUNY-Albany

There are moments when one writes something that just speaks to everybody’s heart.It’s a very complex task to think of moments like that: Why do they exist? What happens when something that someone wrote makes people wish that they themselves had written that text? How is it possible that a single person captures in his or her words a collective drive? Is it truly possible to think in terms of a “collective” voice?Of course, I have no answers to these questions. Or else, the best answer is always a text.Weeks ago the President of SUNY-Albany announced that he was abolishing a series of departments in his university. I just came across this text by Gregory Petsko, a professor of Biochemistry and Chemistry, and a popular science writer, who wrote an open letter to the President, confronting his cost-cutting arguments and arguing in favor of the Humanities. I can’t think of a better answer to my own questions:http://genomebiology.com/2010/11/10/138

O que somos?

Talvez se deva assim compreender o bebê que nasce com seu primeiro grito como sendo ele mesmo – seu ser ou sua subjetividade – a expansão repentina de uma câmara de eco, de uma nave na qual ressoa a um só tempo aquilo que o arranca e aquilo que o chama, pondo em vibração uma coluna de ar, de carne, que soa em suas embocaduras: corpo e alma de um qualquer-um novo, singular. Um que vem a si ouvindo-se dirigir a palavra tanto quanto ouvindo-se gritar (responder ao outro? chamá-lo?), ou cantar, sempre cada vez, sob cada palavra, gritando e cantando, exclamando-se como ele fez ao vir ao mundo.A passagem acima é uma tradução, temerária, de um momento do maravilhoso À l’écoute, de Jean-Luc Nancy. É engraçado, porque o livro todo é uma guerra surda (perdoe-se-me o trocadilho) contra a ideia de um “ser” anterior ao som – um ser que emergiria de uma pura negatividade. O “ser” da metafísica, em suma.Mas… ao gritar contra (ou com?) a metafísica, resta o momento desse nascimento, quando vem ao mundo a câmara sonora que todos somos, e então resta uma pergunta lancinante, discreta, profunda: de onde vem a primeira vibração que nos põe a vibrar até a morte? Não encontro outra forma de dizê-lo: c’est le miracle. Mas a leitura de Nancy admite (alcança, ou escuta) o milagre?PS. Agradeço a Enea Zaramella, que há tanto tempo vem à l’écoute.

Pedro Meira Monteiro