Pedro Meira Monteiro

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October 2010

O anti-Foucault

Uma das muitas virtudes do pensamento conservador é lembrar, aos que temos a veleidade de afirmar-nos imunes à cantilena da conservação, que o nosso discurso é sempre guiado por fantasmas. De fato, não há voz que se sustente sem espectros. Quando falamos, a potência muitas vezes inconfessável que nos move é aquela que trabalha por materializar, diante de nós mesmos e dos que nos ouvem ou leem, um fantasma. Anteontem, em Princeton, Mario Vargas Llosa, recém-laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, proferiu uma palestra intitulada “Breve discurso sobre la cultura”. Em sua fala, o alvo era, sem nenhum pejo ou temor, a figura “sofística” de Michel Foucault.

The hollow men

Lembro do magnífico poema de T.S. Eliot (prêmio Nobel de literatura de 1948), “The hollow men”: o mundo que termina em murmúrios, não em explosão.
Hoje é dia de explosão: supõe-se que nenhum de nós deva estar infeliz. Mas leio Eliot, que se inspirou em Conrad, e eis a lição: há os homens vazios, que deslizam na sombra.