Pedro Meira Monteiro

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December 2009

Espreguiçando-se

Espreguiçando-se

Há algum tempo me intriga o final de “A metamorfose”, naquele exato momento em que a jovem senhorita Samsa se levanta e se espreguiça, depois de um passeio de bonde em que ela e os pais aliviaram-se definitivamente do peso de Gregor, aquela “coisa” que estivera por tanto tempo esparramada no quarto, e de que a empregada finalmente se livrara.

É claro que a alegria juvenil da jovem contrasta a morte estúpida do irmão, mas o fato é que o espreguiçamento condensa um gesto de desafio, uma espécie de recordação macabra de que a alegria da família se construirá

Passions

Le Brun’s passionate drawings strike me as being at once actual and imaginary.
What if we think of passions in its archaic sense? What if, instead of a desire that originates in the autonomous subject, a “passion” is seen as a movement of the soul that is independent of our own will?
If we look closely, in Le Brun’s depiction of passions we find a drama that claims the face, or rather, a drama that makes itself known through the contorted features of a face subjugated by a concrete external force.

Pedro Meira Monteiro